A Roda Cultural da Cidade de Deus retomou sua programação com uma edição dedicada a ampliar quem ocupa o microfone, a produção e os espaços de decisão no hip-hop. Realizada em 6 de agosto, a RCCDD Del@s marcou a 307ª edição do projeto com batalha de rima, oficina de audiovisual e uma curadoria centrada na diversidade.
A batalha reuniu MCs de diferentes regiões do estado do Rio, conectando artistas das zonas Norte, Sul e Oeste, da Baixada Fluminense, da Costa Azul e da Costa Verde. La Major, Camila Red, Mystica BXD, Aqualtune, Deusa MC, Sereia BXD, Tsunade, Isa, Anjos MC e R9 estiveram entre os nomes mobilizados para a noite.
A condução ficou com Malê BXD e Letty ZO, duas artistas que já atuam na articulação de batalhas e rodas culturais fluminenses. Nos beats, Tabita Infinito estreou na casa representando a Baixada. A escolha de mulheres em funções que vão da apresentação à discotecagem reforçou que o tema da edição também estava presente na forma de construir o evento.
Fora da disputa, a programação abriu espaço para uma oficina de produção audiovisual com Gleyser Ferreira, produtora, curadora do CineTaquara e arte-educadora. A atividade integrou a agenda formativa da Coletiva Iacaré e aproximou ferramentas técnicas das narrativas criadas nos próprios territórios periféricos.
Tempesnathi, residente da Batalha do Coliseu, e Joy BXD, fundadora do Circuito Meritiense de Rima, formaram o júri. Sereia BXD venceu a batalha e recebeu R$ 300, além de uma jaqueta personalizada produzida em colaboração com a artista plástica Ysha — uma premiação pensada também como memória visual daquela edição.
O encerramento veio com o After Del@s e um open mic das minas, deslocando o foco da competição para a experimentação e a chegada de novas vozes. O gesto resume a proposta da noite: diversidade não como adereço de programação, mas como condição para que a cultura de rua continue se renovando.
A edição foi produzida por Tarja Preta, Ana Duarte, da Batalha da Costa, e Ale, cofundadora do Essência Hip Hop. Ao reunir diferentes experiências de produção cultural periférica, a RCCDD reafirmou a roda como espaço de encontro, formação e transformação social dentro da Cidade de Deus.