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Puro Suco divide os erros e a caminhada de Brasília com Emicida no terceiro álbum
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Puro Suco divide os erros e a caminhada de Brasília com Emicida no terceiro álbum

DATA // 07 de novembro de 2026AUTOR // Paulo Powers

Foto: Isabel Gandolfo

Murica, Peres e BEATDOMK chegam ao terceiro álbum do Puro Suco olhando para aquilo que deu errado no caminho. Em “A Contribuição Milionária de Todos os Erros”, o trio de Brasília reúne 12 faixas inéditas e divide o microfone com Emicida, Tribo da Periferia e Clara Lima, além de receber Douglas Germano. O disco chega três anos depois de “Cacau”, de 2023.

O título vem do “Manifesto Pau-Brasil”, texto de Oswald de Andrade publicado em 1924. Para Murica, os erros ajudam a explicar o percurso do grupo: “os erros nos forjam”. A ideia também orienta a disposição de seguir experimentando, sem repetir os mesmos tropeços, quando o Puro Suco se aproxima de completar dez anos de atividade.

A construção do som passa pela pesquisa de samples de BEATDOMK, também chamado de MK, pela bagagem literária de Murica e pelo trabalho de Peres na mixagem e nos efeitos das vozes. O boombap encontra elementos eletrônicos e ritmos quebrados, como o UK garage. “Cada um traz a sua pesquisa e o seu ingrediente pro suco”, diz Murica sobre o encontro dessas práticas no estúdio.

Arte do álbum A Contribuição Milionária de Todos os Erros, do Puro Suco

Capa de “A Contribuição Milionária de Todos os Erros” — Imagem: Divulgação

Emicida participa de “7 Mil Caminhos”. A relação já passava pelo palco e por referências entre as músicas: o paulistano homenageou o trio em “RPB”, inspirado em “De Volta ao Básico”, de “Cacau”. Para Murica, gravar com alguém que o grupo cresceu ouvindo dá uma dimensão concreta ao caminho percorrido e ao reconhecimento entre gerações do rap.

Os encontros seguem por “Pato Feio”, com a Tribo da Periferia, e “Lapada Seca”, ao lado de Clara Lima. Douglas Germano aproxima o trabalho da tradição do samba paulista, nas cordas e nos interlúdios. Murica situa as presenças a partir da admiração: a Tribo como pioneira, Clara como artista completa e Douglas ligado à escola do samba.

Formado no Distrito Federal em 2017, no ambiente da Batalha do Museu e às margens do Plano Piloto, o Puro Suco mantém o formato de grupo com dois MCs e um produtor. A “Rataria Popular Brasileira”, nome de seu primeiro disco, também passou a identificar essa mistura de sample, boombap e música brasileira. “A Contribuição Milionária de Todos os Erros” já está disponível nas plataformas digitais.

Ouça “A Contribuição Milionária de Todos os Erros”