Arte: Môra Rapper
Môra Rapper lançou em 21 de abril de 2026 o álbum “É o Velho Môra, Quase Imaculado”. Disponível nas plataformas digitais, o trabalho possui sete faixas e conecta questionamentos sobre fé, crítica social, identidade periférica e a própria trajetória do artista na cultura hip-hop.
O rapper construiu sua caminhada a partir de Santa Maria, no Distrito Federal. A ligação com a cidade já aparecia publicamente em trabalhos anteriores e retorna no novo álbum, principalmente em “Favela Floresce”, faixa na qual o território é citado diretamente.
O título do disco nasceu de uma expressão usada por pessoas que conhecem o artista há mais tempo. Segundo Môra, “É o Velho Môra” tornou-se uma forma de reconhecer sua permanência na cultura. Já “Quase Imaculado” brinca com a ideia de alguém quase puro, quase sem pecado ou quase perfeito.
Môra explica que o título funciona como uma sátira a uma sociedade que julga constantemente as pessoas. A auréola presente na capa, cercada pela escuridão, amplia essa contradição entre pureza, imperfeição e julgamento.
Sete faixas entre fé, crítica e vivência periférica
O álbum começa com “Falamos com Deus”. Môra define a música como uma reunião de pensamentos pessoais e questionamentos dirigidos a Deus diante de diferentes problemas sociais.
A espiritualidade também aparece em “Fila de Oração”. De acordo com o rapper, a faixa critica líderes religiosos que recorrem à fé e ao nome de Deus para controlar ou explorar pessoas. A abordagem não aponta indivíduos específicos, mas questiona práticas que transformam a religião em instrumento de poder.
Em “Respeitável Público”, Môra volta o olhar para o próprio rap. O artista afirma que a música discute a relação da cultura com seu público, a influência da mídia e a presença de pessoas que se aproximam do movimento apenas por interesse.
“Fantasma” aborda, nas palavras de Môra, o cidadão brasileiro que se torna invisível diante da sociedade. “Favela Floresce”, por sua vez, fala de periferia, pertencimento e autoafirmação, trazendo Santa Maria para dentro do disco.
A faixa “Plagiei Gabriel Pasternak” foi inspirada no personagem Gabriel Pasternak, figura central do primeiro segmento do filme hispano-argentino “Relatos Selvagens”. O título provocativo transforma essa referência cinematográfica em ponto de partida para a composição.
Encerrando o álbum, “Cantemos a Paz 2” retoma uma música registrada anteriormente pelo Radicalibres. Môra afirma que a primeira versão ajudou a abrir oportunidades para o grupo e que a continuação estabelece uma ponte entre aquela fase e seu trabalho atual.
Do Radicalibres ao recomeço como artista solo
Môra relata que começou no rap em 1998. Segundo ele, foi durante sua passagem pelo Radicalibres que o trabalho ganhou maior dimensão, alcançou mais pessoas e atravessou tanto bons momentos quanto dificuldades próprias da vida artística.
O rapper descreve a saída do grupo como um recomeço. Embora já carregasse anos de experiência, o nome Môra Rapper ainda precisava construir seu próprio reconhecimento diante de um público que conhecia melhor o Radicalibres.
Essa relação entre experiência e reinício ajuda a explicar o “Velho Môra” presente no título. O álbum apresenta um artista que reconhece o tempo vivido, mas continua procurando novas formas de dizer o que considera necessário.
Produção independente conecta Distrito Federal e São Paulo
Na ficha técnica apresentada por Môra, o próprio rapper aparece como responsável pela produção executiva e fonográfica. A gravação e a masterização são creditadas à LP Music Produções. A mixagem, segundo o artista, foi realizada por Léo Prado, da LP Music Produções, em parceria com Môra.
Os beats foram divididos entre três produtores. NeewZo, de São Paulo, assina “Falamos com Deus” e “Favela Floresce”. Léo Boynas, do Distrito Federal, é creditado em “Respeitável Público”, “Fila de Oração”, “Fantasma” e “Cantemos a Paz 2”. Adriano SPJ Records, também do DF, produziu o beat de “Plagiei Gabriel Pasternak”.
Álbum ganha sequência de videoclipes
Três músicas já receberam vídeos no canal oficial de Môra: “Fila de Oração”, “Cantemos a Paz 2” e “Respeitável Público”. O artista afirma que pretende transformar todas as faixas do álbum em produções audiovisuais.
O próximo lançamento anunciado é o vídeo de “Plagiei Gabriel Pasternak”, previsto por Môra para 5 de setembro.
Fila de Oração
Cantemos a Paz 2
Respeitável Público
Verdade antes da expectativa
Môra reconhece que não consegue identificar com clareza o que o público atual espera do rap. Em vez de transformar essa incerteza em uma fórmula, ele diz priorizar aquilo que considera verdadeiro e necessário em sua própria criação.
“Tento ser verdadeiro e, primeiramente, fazer algo que eu tenha prazer e ache necessário cantar. No mais, é deixar acontecer”, resume.
“É o Velho Môra, Quase Imaculado” registra esse momento de continuidade e recomeço: um artista independente que parte da própria experiência, da relação com Santa Maria e das contradições que observa ao redor para construir seu trabalho.
Ouça o álbum
Môra Rapper também pode ser acompanhado nas redes sociais pelo perfil @morarapper.
