Arte: Rafael Símba
Antes de chegar à pista, o som de KBrum passa pelo violão que seu pai tocava para acordá-lo na infância. Essa memória abre “Bom Dia (Intro)” e dá o ponto de partida de “Raggaleluia”, seu primeiro álbum de estúdio. Lançado em 9 de outubro pela Deck, o disco reúne 14 faixas e traz Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para perto das referências jamaicanas que acompanham o artista.
O nome junta ragga e aleluia. Para KBrum, essa aproximação tem a ver com o lugar que o reggae ocupa em sua vida. “É uma palavra que criei a partir da junção de duas outras: ragga e aleluia, esta última associada ao sagrado. E, realmente, o reggae me salvou”, conta. A fé atravessa o trabalho ao lado das histórias de família, das amizades e das relações que ele escolhe cantar.
Da memória de casa ao som da pista
Com direção musical de WANDO e produção de CARLO e Áfricanoise, o álbum percorre esses assuntos sem ficar preso a um único ritmo. Depois da lembrança do pai na abertura, “Mó Paz” fala da convivência com os amigos e da alegria de acompanhar suas conquistas. Em “Não Demora”, o foco muda para o amor e a ansiedade pelo reencontro. Já “Deus Me Livre”, com Gugs, leva humor e fé para os problemas do cotidiano.

Arte: Rafael Símba
O dancehall aparece em “Fora da Lei”, que trata dos jogos de sedução. Em “Lewis Hamilton”, com MASKOTTE e Chediak, o caminho passa pelo drum and bass, pela música brasileira e pela eletrônica londrina. A presença de “Pussy”, lançada antes do álbum, recupera outra parte da pesquisa rítmica de KBrum.
Com Maui, “JMCXS Pt. 2” retoma uma estética dos anos 2000 entre reggae e R&B. “Manipula”, parceria com Ludom, aproxima o amapiano da MPB e da música eletrônica. Gugs, Bruno Kroz, MASKOTTE, Maui, Ludom, Clara Ribeiro e Chediak participam do trabalho, que reserva à cantora Clara Ribeiro o encontro com KBrum na faixa-título, no encerramento.
A fé também está na pintura
A capa assinada por Rafael Símba leva essa conversa para a imagem: um Cristo alado veste as cores da bandeira jamaicana, segura uma espada e uma balança da justiça e pisa sobre uma figura demoníaca. A pintura reúne símbolos religiosos e referências do reggae que também atravessam as canções.
Entre a lembrança do violão em casa, os encontros com seus parceiros e os ritmos que leva à pista, KBrum mantém a Baixada como referência do disco. “Raggaleluia” já está disponível nas plataformas digitais. As 14 faixas permitem acompanhar a passagem de uma memória de infância para as diferentes formas de cantar e produzir que ele reúne hoje.
