Clara Ribeiro encerra o ciclo do EP Desabafos com um trabalho em que a transformação não aparece como efeito, mas como parte da história. Lançado em 13 de agosto, o videoclipe de Lágrimas parte de uma homenagem póstuma ao pai da artista para falar de luto, memória e reconstrução.
A faixa é o último capítulo de uma travessia audiovisual iniciada com Escudo. No EP produzido por Chediak, quatro músicas aproximam elementos eletrônicos, drum'n'bass e reggae de temas como vulnerabilidade e reconhecimento. Lágrimas, composta por Maui, leva esse percurso para um espaço mais íntimo.
O roteiro acompanha Clara pelas ruas do bairro onde cresceu até chegar a um quintal cercado por vegetação, comida, conversa e pessoas próximas. O ambiente doméstico deixa de ser apenas locação: vira território de afeto, lugar onde a dor pode circular sem permanecer isolada.
A câmera observa gestos cotidianos e aproxima a experiência individual de uma memória coletiva. Ao redor de Clara, a presença de familiares e amigos desloca o clipe de uma representação solitária da perda. O que está em jogo não é apagar a ausência, mas encontrar outras maneiras de carregá-la.
O corte de cabelo concentra essa mudança. Realizado diante das câmeras pela hairstylist Sarah Catibe, o gesto marca a passagem entre estados emocionais e transforma a aparência em linguagem. Cortar, nesse contexto, não significa esquecer; significa reconhecer que o corpo também participa dos processos de despedida e recomeço.
Com voz de Clara Ribeiro, composição de Maui e direção de Diogo Queiroz e Wander Scheeffer, o clipe fecha Desabafos sem oferecer uma conclusão fácil para o luto. A força do trabalho está justamente em tratar a mudança como processo: algo que atravessa imagem, território, relações e a forma como a artista volta a se reconhecer.