Foto: Westside
Cem dias.
Esse é o tempo transcorrido entre 23 de maio de 2026, quando Mateus Edgar Pires da Silva, conhecido artisticamente como MT das Ruas, foi encontrado sem vida no Sol Nascente, no Distrito Federal, e esta segunda-feira, 31 de agosto.
Mais de três meses depois, uma pergunta básica continua sem resposta pública definitiva:
O que aconteceu com MT das Ruas?
Mateus foi rapper, compositor e letrista. Desde as primeiras informações sobre sua morte, não havia uma causa oficial divulgada.
Agora, cem dias depois, a Polícia Civil do Distrito Federal afirma oficialmente que os fatos estão sendo investigados. Em resposta encaminhada à Westside em 31 de agosto, a instituição informou também que a unidade policial responsável ainda aguarda laudo do Instituto de Medicina Legal.
A manifestação, porém, não respondeu objetivamente à maior parte das perguntas apresentadas pela reportagem.
A família também afirma continuar sem uma explicação definitiva sobre a causa da morte e sem respostas suficientes para diferentes questões envolvendo os últimos dias do artista, as condições em que seu corpo foi encontrado e o destino de alguns de seus pertences.
A Westside acompanha o caso há meses. Teve acesso a documentos, fotografias, vídeos, áudios, relatos e comunicações mantidas pela família e pelo advogado com órgãos públicos.
Desde julho, o veículo também passou a buscar formalmente respostas junto ao IML e à Polícia Civil.
Esta reportagem reúne aquilo que está oficialmente confirmado, o que a família documentou, as providências tomadas até agora e, principalmente, aquilo que permanece sem resposta.
O que aconteceu em 23 de maio
Mateus foi encontrado morto na tarde de 23 de maio de 2026, no cômodo onde estava vivendo, na região do Sol Nascente.
Em resposta anteriormente encaminhada à Westside, a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil informou que a ocorrência foi registrada como localização ou remoção de cadáver e ficou vinculada à 19ª Delegacia de Polícia.
Segundo o histórico repassado oficialmente pela PCDF, amigos sentiram falta de Mateus e começaram a procurá-lo. Um amigo abriu o cômodo onde o artista estava e encontrou o corpo já em estado avançado de decomposição.
O SAMU foi acionado e constatou o óbito.
Naquele momento, não havia causa definida para a morte.
Documentação relacionada ao falecimento utilizou a expressão “a esclarecer”.
E foi a partir daí que começou uma espera que já chegou a cem dias.
A família começou a procurar respostas
O advogado que acompanha a família, Dr. Tiago Ferreira, passou a buscar formalmente documentos relacionados à morte.
Em 23 de junho, ele esteve pessoalmente no IML e apresentou requerimento solicitando acesso ao laudo cadavérico, aos procedimentos realizados no corpo, ao termo de liberação e a outros registros relacionados ao caso.
Segundo informações repassadas naquele momento, foi indicado prazo de cinco dias úteis.
Em 30 de junho, encerrado o prazo informado, o advogado relatou que o laudo cadavérico ainda não estava pronto.
Também buscou informações sobre o documento relacionado ao local onde Mateus havia sido encontrado, que igualmente não estava concluído naquele momento.
Diante da demora, passou a ser considerada inclusive a possibilidade de buscar judicialmente acesso à documentação.
Segundo a família, um laudo foi posteriormente disponibilizado depois de mais de 40 dias. Ainda assim, na avaliação dos familiares, o material não apresentou uma resposta definitiva capaz de esclarecer a causa da morte.
Esse ponto ganhou uma nova dimensão em 31 de agosto.
Na manifestação encaminhada à Westside, a Polícia Civil informou que a unidade responsável ainda aguarda “Laudo do IML”.
A resposta não esclarece se a referência é ao mesmo documento anteriormente disponibilizado à família, a uma versão conclusiva, a exames complementares ou a outro laudo.
Essa aparente diferença entre as informações é mais um ponto que precisa ser esclarecido.
Em 3 de julho, a Westside começou a cobrar formalmente como veículo de imprensa
A atuação jornalística da Westside no caso não começou com a cobrança realizada no fim de agosto.
No dia 3 de julho, o veículo encaminhou pedidos formais relacionados ao caso ao Instituto de Medicina Legal e à Assessoria de Comunicação da Polícia Civil.
Foram elaborados documentos específicos para cada instituição, mantendo separadas a atuação da imprensa e a representação jurídica da família.
Ao IML, a Westside pediu informações institucionais sobre o andamento dos exames relacionados à morte, a situação do laudo, eventual necessidade de análises complementares e previsão para conclusão dos procedimentos.
À Polícia Civil, foram encaminhadas perguntas sobre a apuração, a situação dos documentos relacionados ao local onde Mateus foi encontrado, a unidade responsável e a eventual existência de sigilo ou outro impedimento legal para a prestação de informações.
A Westside não pediu acesso indevido a fotografias do cadáver, informações médicas protegidas ou elementos que pudessem comprometer uma investigação.
O objetivo era compreender em que estágio o caso se encontrava e quando seria possível oferecer uma resposta à família.
A primeira resposta confirmou a ocorrência, mas não explicou a morte
Em resposta posterior, a PCDF forneceu à Westside os dados básicos registrados no sistema policial.
Confirmou a 19ª DP como unidade vinculada ao caso, a natureza da ocorrência, data, horário, endereço e o histórico registrado.
As informações eram relevantes para estabelecer oficialmente as circunstâncias básicas do atendimento.
Mas a principal pergunta permanecia.
Como Mateus morreu?
Também continuavam sem esclarecimento questões sobre a situação dos laudos, as diligências realizadas e a existência de um procedimento investigativo específico.
Três dias antes, MT estava ao vivo
Entre os materiais preservados pela família está a gravação completa de uma transmissão realizada por Mateus em 20 de maio, três dias antes da localização do corpo.
A Westside teve acesso ao registro.
Na transmissão, Mateus fala sobre dificuldades pessoais e financeiras. Em determinado momento, relata inclusive que estava sem alimento.
Também demonstra insatisfação com questões relacionadas à própria carreira e afirma que pretendia deixar o Instagram e falar publicamente sobre conflitos profissionais, segundo sua própria versão.
A gravação não prova que essas declarações tenham qualquer relação com sua morte.
Também não pode ser utilizada isoladamente para atribuir responsabilidade a qualquer pessoa.
Mas é um registro direto dos últimos dias de Mateus e, por isso, precisa ser preservado como parte da reconstrução cronológica do período.
Três dias depois daquela transmissão, ele foi encontrado morto.
Os registros dos últimos dias de Mateus e as circunstâncias do acesso ao imóvel ainda precisam ser esclarecidos pelas autoridades.
O destino do telefone celular também permanece entre as questões apresentadas pela família.
A cena também apresenta questões ainda não esclarecidas
A família possui registros que apresentam diferenças que precisam ser tecnicamente explicadas.
Um documento relacionado ao recolhimento descreve o cadáver em decúbito dorsal, expressão técnica para indicar uma pessoa deitada de costas.
Uma fotografia produzida no local por uma pessoa próxima a Mateus, quando policiais já estavam presentes, mostra o corpo em posição lateral.
Essa diferença não demonstra que tenha ocorrido alteração irregular da cena.
O corpo pode ter sido movimentado durante atendimento, avaliação, perícia ou procedimentos para remoção.
Os registros oficiais precisam esclarecer se houve movimentação do corpo durante o atendimento, a perícia ou a remoção e em qual etapa do procedimento isso ocorreu.
Também existem versões diferentes sobre as roupas que ele utilizava quando foi encontrado.
Novamente, versões conflitantes não constituem prova de irregularidade.
Elas indicam a necessidade de confrontar relatos com fotografias oficiais, registros de atendimento, documentos periciais e o laudo relacionado ao local.
A Westside não publicará fotografias do corpo ou outros registros capazes de violar a dignidade de Mateus ou comprometer eventual investigação.
Onde estão os pertences de MT?
Outra questão apresentada pela família envolve os objetos pessoais do rapper.
Familiares afirmam não ter recebido o telefone celular de Mateus, joias, roupas e outros pertences que esperavam encontrar.
Também relatam não possuir, até o momento, uma relação detalhada capaz de esclarecer quais objetos foram encontrados no imóvel, quais foram recolhidos e qual destino foi dado a eles.
O celular possui importância especial.
Se localizado e preservado adequadamente, o aparelho pode ajudar a reconstruir os últimos dias do artista por meio de chamadas, mensagens, contatos, acessos a redes sociais, conversas relacionadas à carreira e, quando tecnicamente disponíveis, outros registros do dispositivo.
A família pretende tratar formalmente dessas questões pelas vias jurídicas adequadas.
Em paralelo, a família organiza o legado artístico de MT
Enquanto tenta compreender a morte, a família também acompanha questões relacionadas ao legado artístico.
O patrimônio artístico deixado por MT das Ruas está sendo levantado no inventário.
Segundo familiares e seu advogado, esse levantamento inclui músicas, administração de perfis, direitos autorais, apresentações e receitas vinculadas ao nome e à obra do artista.
Há contratos antigos e documentos mais recentes que estão sendo submetidos à análise jurídica.
Esses documentos estão sendo submetidos a análise jurídica no inventário, sem que a reportagem atribua irregularidade ou responsabilidade a qualquer pessoa.
O inventário conduzido pelo advogado busca identificar obras, letras, fonogramas, gravações inéditas, contratos, perfis, receitas e demais ativos pertencentes ao espólio.
É fundamental estabelecer uma separação clara.
Questões de direitos autorais ou interesses econômicos não provam qualquer relação com a morte de Mateus.
São questões diferentes.
As questões patrimoniais precisam ser examinadas pelos meios jurídicos adequados.
A causa da morte precisa ser determinada por investigação e perícia.
Uma questão não pode ser usada como prova automática da outra.
Em 25 de agosto, a Westside voltou a cobrar respostas
Com mais de três meses transcorridos e ainda sem uma explicação pública sobre a causa da morte, a Westside procurou novamente a Polícia Civil.
No dia 25 de agosto, a reportagem enviou à Assessoria de Comunicação da PCDF e à 19ª DP sete perguntas objetivas.
A Westside pediu informações sobre a situação atual da apuração, a existência de causa mortis oficialmente determinada, a conclusão dos laudos cadavérico e do local, exames ainda pendentes e sua previsão de conclusão, eventual instauração de inquérito ou outro procedimento investigativo, possíveis limitações para o fornecimento de informações e a posição da instituição diante das cobranças da família.
Também foi oferecido espaço para manifestação por escrito ou para uma breve entrevista com representante indicado pela própria Polícia Civil.
A reportagem informou que estava em fase de fechamento e solicitou retorno até 28 de agosto.
A ASCOM encaminhou as perguntas à unidade
Na manhã de 26 de agosto, a Assessoria de Comunicação respondeu:
“Encaminhamos a demanda para a unidade, aguardamos retorno.”
A Westside agradeceu e reiterou que estava disponível tanto para registrar uma manifestação em vídeo quanto para publicar uma nota oficial da instituição.
O prazo solicitado terminou em 28 de agosto.
Sem resposta da unidade, a reportagem voltou a cobrar um posicionamento naquela noite.
A resposta chegou em 31 de agosto
No final da tarde desta segunda-feira, 31 de agosto, a Assessoria de Comunicação encaminhou finalmente a manifestação recebida da unidade policial.
A resposta foi breve.
Segundo a autoridade policial, os fatos da ocorrência “estão sendo investigados e diligenciados”, enquanto a unidade permanece aguardando “Laudo do IML, entre outros aspectos”.
A manifestação estabelece oficialmente um fato que até então não havia sido esclarecido dessa maneira à reportagem:
a Polícia Civil afirma que existe investigação em andamento.
Mas praticamente todas as demais perguntas permaneceram sem resposta objetiva.
A PCDF não informou qual procedimento investigativo está sendo utilizado.
Não esclareceu se existe inquérito formalmente instaurado.
Não informou quais diligências já foram realizadas.
Não respondeu se o laudo relacionado ao local foi concluído.
Não apresentou previsão para o laudo do IML que afirma aguardar.
Não informou se existe alguma conclusão preliminar sobre a causa da morte.
Também não explicou o que significa a expressão “entre outros aspectos” utilizada na resposta.
Cem dias depois da localização do corpo, a própria unidade policial afirma que ainda depende de informação do IML.
Demora não é, por si só, prova de irregularidade
Esse ponto precisa ser tratado com responsabilidade.
Investigações de morte podem exigir tempo.
O estado de decomposição do corpo pode dificultar determinados exames. Análises toxicológicas, histopatológicas e outros procedimentos laboratoriais podem demandar prazos maiores.
A Westside não cobra da Polícia Civil ou dos peritos uma conclusão sem respaldo técnico.
Também não interpreta a demora, isoladamente, como prova de negligência, crime ou tentativa de ocultação.
A cobrança é mais simples.
O que já foi feito? O que ainda está pendente? Qual procedimento está em andamento? E por que, cem dias depois, a causa da morte ainda não foi esclarecida para a família e para a reportagem?
São perguntas que podem ser respondidas dentro dos limites legais e sem exposição indevida de elementos eventualmente protegidos.
O que a família pede
A família não pede condenações pela internet.
Não pede que suspeitas sejam publicadas como fatos.
Pede documentos.
Pede perícia.
Pede que relatos relevantes sejam verificados.
Pede que eventuais divergências sejam esclarecidas.
Pede que testemunhas consideradas importantes sejam ouvidas pelas autoridades competentes.
E, acima de tudo, pede uma resposta para uma pergunta que qualquer família tem direito de fazer:
como Mateus morreu?
Ao longo desses cem dias, familiares reuniram fotografias, vídeos, áudios, documentos e relatos que consideram relevantes.
Parte desse material contém versões conflitantes e conteúdo sensível.
Por isso, a Westside não transformará essas informações em fatos comprovados antes de verificá-las.
Também não publicará nomes atribuindo responsabilidade criminal por uma morte cuja própria causa ainda não foi oficialmente esclarecida.
Esta reportagem não afirma que MT das Ruas foi assassinado
Essa ressalva é fundamental.
A Westside não afirma que MT das Ruas tenha sido assassinado.
Até o momento, nenhuma conclusão oficial apresentada à reportagem permite fazer essa afirmação.
Entre as versões registradas nos materiais reunidos pela família está a hipótese de uma possível overdose, mencionada ainda no local.
Até o momento, a reportagem não teve acesso a laudo conclusivo que confirme essa hipótese, que não pode ser tratada como causa oficial da morte.
Vulnerabilidade não substitui perícia.
Relatos não substituem investigação.
Suspeitas não substituem provas.
Se houve uma causa natural, ela precisa ser tecnicamente demonstrada.
Se houve intoxicação, a natureza e as circunstâncias precisam ser esclarecidas.
Qualquer outra hipótese precisa ser examinada pelas autoridades com base em investigação e prova técnica.
E, se a investigação afastar qualquer hipótese criminal, essa conclusão também precisa ser apresentada de forma clara e tecnicamente fundamentada.
MT das Ruas foi mais do que seus períodos de dificuldade
Mateus Edgar Pires da Silva construiu uma trajetória própria dentro do rap do Distrito Federal.
Suas letras registraram experiências das ruas, conflitos, sobrevivência, humor e realidade social.
Músicas como “Oia Oia” e “Esparradão” ajudaram a consolidar sua identidade artística e fizeram seu trabalho circular para além de seu território.
Sua história também teve períodos difíceis e situações de vulnerabilidade.
Esses elementos fazem parte de sua trajetória, mas não podem reduzir a maneira como sua morte é examinada.
Uma pessoa em situação de vulnerabilidade tem o mesmo direito a uma investigação completa que qualquer outra.
E uma família tem o direito de conhecer, dentro dos limites técnicos possíveis, a causa da morte de alguém que perdeu.
Perguntar não é acusar
O papel da Westside não é substituir a Polícia Civil, o Instituto de Medicina Legal, o Ministério Público ou o Poder Judiciário.
Também não é estabelecer uma narrativa criminal antes que existam provas.
Mas o papel da imprensa tampouco é ignorar perguntas legítimas.
Quando um artista é encontrado morto, quando a causa permanece sem resposta definitiva, quando familiares buscam documentos durante meses e quando existem questões relevantes sobre seus últimos dias, perguntar não é acusar.
É fazer jornalismo.
Cem dias depois, a pergunta permanece
A Polícia Civil afirma que investiga.
A Polícia Civil afirma também que ainda aguarda laudo do IML.
A família continua esperando uma explicação definitiva.
O advogado continua acompanhando a documentação e o inventário.
A Westside encaminha pedidos formais de informação desde 3 de julho.
Em agosto, novas perguntas foram apresentadas.
A resposta mais recente esclareceu que há uma investigação, mas deixou a maior parte das questões objetivas sem resposta.
Por isso, cem dias depois, esta reportagem termina exatamente no ponto em que começou:
O que houve com MT das Ruas?
A Westside continuará acompanhando o caso.
Esta reportagem permanecerá em atualização e será modificada sempre que surgirem laudos, documentos, manifestações oficiais ou outros fatos verificáveis.
A Polícia Civil do Distrito Federal, o Instituto de Medicina Legal e qualquer pessoa ou instituição que venha a ser mencionada nas próximas etapas desta apuração terão espaço para apresentar informações, documentos e esclarecimentos.
A intenção não é antecipar a conclusão de uma investigação.
É conseguir que exista uma conclusão.
Publicação: 31 de agosto de 2026
Última atualização: 31 de agosto de 2026
Nota da Redação
Esta é uma reportagem em desenvolvimento.
Parte do material recebido pela Westside possui conteúdo sensível e permanece preservada para análise jurídica e eventual apresentação às autoridades, sem publicação.
A Westside não divulgará fotografias do corpo nem documentos que possam violar a dignidade de Mateus Edgar Pires da Silva, expor indevidamente familiares, prejudicar eventual investigação ou atribuir responsabilidade criminal sem elementos verificáveis.
Novas respostas oficiais serão incorporadas à reportagem com indicação da respectiva data de atualização.
