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Babidi transforma o estúdio Azulão em ponto de encontro do rap carioca
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Babidi transforma o estúdio Azulão em ponto de encontro do rap carioca

DATA // 19 de agosto de 2026AUTOR // Paulo Powers

Um estúdio montado em casa, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, virou ponto de encontro para artistas, laboratório de produção e arquivo de uma convivência que durou dois anos. É desse espaço que nasce Tape do Azulão, novo trabalho do produtor musical Igor Babidi, lançado em parceria com o selo Sujoground.

Aos 28 anos e com quase uma década de atuação nos bastidores do hip-hop fluminense, Babidi reúne 13 artistas em 14 faixas. O disco parte do boom-bap — uma das bases clássicas do rap, marcada por bateria forte e uso de samples —, mas se abre para MPB, samba, funk, jazz, soul e experiências eletrônicas. A diversidade não aparece como uma coleção de estilos desconectados: ela acompanha as pessoas que circularam pelo estúdio entre agosto de 2024 e agosto de 2026.

O que é o Azulão

“Azulão” é o nome pelo qual o home studio de Babidi ficou conhecido entre os frequentadores. O título também homenageia o cantor e compositor pernambucano Azulão, de Caruaru, referência do baião e da música regional nordestina. A mesma palavra, portanto, liga o espaço físico onde as faixas foram gravadas a uma memória musical brasileira que vai além do rap.

O produtor explica que o projeto nasceu justamente da vontade de registrar essa rede sem forçar uma narrativa rígida:

“Neste momento da minha carreira, Azulão significa entrosamento, afinidade e coletividade. Firma uma ruptura com o compromisso de eu ter que entregar um álbum extremamente conceitual e vem mais com o intuito da nossa busca pela música feita por diversão.”

Participam do trabalho Claudjin, Servo, Janvi, Samuka, Eli-Z, Yung Vegan, Athos, Rafinha no Beat, Rare Gnxt, Barba Negra, Lis MC, Conde e Seu Gerê, pai de Babidi. A presença de Seu Gerê prolonga uma relação familiar que já aparecia em Depois Que A Água Baixou, álbum lançado em vinil pelo produtor em 2025.

Uma tape feita de encontros reais

Na faixa Intro, áudios de amigos pedindo para visitar o estúdio apresentam o ambiente onde o projeto nasceu. Em seguida, Azulão, com Claudjin, combina bateria presente e melodia espacial. V.D.Q. surgiu na mesma sessão de Qual Vai Ser, com beat, letra e uma linha de baixo tocada de improviso.

Tempo Extra, com Eli-Z, também surgiu sem plano de entrar no disco. Babidi conta que convidou o MC enquanto cortava alguns vinis. Depois de uma primeira música mais introspectiva, mostrou outra batida, e Eli-Z escreveu a letra na hora. O produtor decidiu manter a faixa após perceber a resposta do público ao testá-la em uma pista no Rio.

“Criamos ela sem nenhuma intenção de ir para o projeto, e ela acabou indo por gostarmos muito dela. Toquei em um evento aqui no Rio e a pista parecia já conhecer a música.”

Em Curta, a voz de Seu Gerê acompanha versos de Claudjin e Lis MC. Cão Fazendo Arte reúne Conde, Eli-Z e Claudjin. Já De Novo usa uma linha de baixo de Gabriel Azevedo para aproximar bateria e balanço de funk, ampliando a paleta sonora da tape.

Do documentário ao sample

As referências aparecem também fora da música. Em Como Se Fosse a Última, com Barba Negra, uma conversa sobre o cineasta Emílio Domingos levou o grupo a usar uma fala de Damien Seth presente no documentário A Palavra Que Me Leva Além. A escolha dá ao beat sem bateria, conhecido como drumless, uma camada de memória ligada à cultura hip-hop.

Verocai, com Janvi e Yung Vegan, começou a partir de uma música brasileira admirada pelo grupo. Babidi recortou o material para criar o sample, acrescentou a bateria e viu os MCs escreverem enquanto a produção ainda ganhava forma. O resultado é descrito pelo produtor como uma passagem experimental e psicodélica dentro do disco.

As sessões registraram conversas, visitas, improvisos e testes das músicas diante do público. Babidi reuniu esse material sem apagar as diferenças entre os convidados, mantendo a produção do estúdio como ligação entre as 14 faixas.

A capa também nasceu dentro do estúdio

Babidi também produziu a imagem da capa. Ele fotografou com o celular, em enquadramento aproximado, a textura de uma placa de isolamento acústico do Azulão. O material azul e preto aparece ampliado na arte final.

Tracklist de Tape do Azulão

  1. Intro
  2. Azulão — Babidi e Claudjin
  3. V.D.Q. — Babidi, Servo e Claudjin
  4. Tempo Extra — Babidi e Eli-Z
  5. Curta — Babidi, Claudjin, Lis MC e Seu Gerê
  6. Cão Fazendo Arte — Babidi, Conde, Eli-Z e Claudjin
  7. Qual Vai Ser — Babidi, Claudjin, Servo e Samuka
  8. De Novo — Babidi, Athos e Rafinha no Beat
  9. Balanço — Babidi, Claudjin e Rare Gnxt
  10. Como Se Fosse a Última — Babidi e Barba Negra
  11. Verocai — Babidi, Janvi e Yung Vegan
  12. Loba — Babidi e Servo
  13. Vai Ganhar de 7 — Babidi e Yung Vegan
  14. Quem Sorriu na Minha Ida — Babidi e Servo